Leoa


Essa manhã foi de sol, tivemos dias ininterruptos de tempo inconstante o sol apareceu no céu, depois de uma noite longa de sonhos quentes, estamos todos aquecidos. Volta sonho, vira realidade.
Era um sonho com a liberdade, todo mundo já sabe, já ficou saturado, tudo que queremos é ter a chance de sair em dias cinzas ou ensolarados.
Tudo mesmo?
Eu quero paz por um pouco tempo, um tempo suficiente para gente cuidar da gente, para gente falar da gente, para gente conversar sobre aquele poema, sobre a vida fora do normal que virou o habitual.
Não tem mente sã em casa alguma e sempre foi assim, estamos todos contentes em nossas pessoais correntes, o foco não esta na liberdade e sim no sonho de felicidade tão perto e tão difícil de alcançar.
Lá fora eu quero estar, deixar a leoa que ninguém conhece, sorrir, dançar e cantar, aos bons se juntar. 
Viver afinal. Sem restrições. Sem máscaras, simples. Eu comigo, meu inferno e meu abrigo.
Lá fora. Tudo parece melhor, faz tempo que eu não olhava pela janela com saudade da rua, da verdade nua e crua de cada esquina. 
Coloco música na vitrola, canto alto fora do tom, cada nota corta como uma navalha de mola minha aflição e pensando nisso percebi que...

Eu sei agora porque o pássaro canta na gaiola.


Aos confinados, que cada palavra chegue como afago e que sua voz, sua dança, sua arte,  o que seja seu refúgio, sirva para libertar tudo que esta trancado, a chave esta a caminho aguente mais um pouquinho. Eu sei, que tem sempre algo bom ao nosso lado.