Um pedacinho de você Pai




A menina que não pertencia, andava por todos os lados, falava com toda a gente, os via,
mas não se via .
Nem tão somente por um instante, pertencia.  
De perto, nem distante, era milhares de coisas, menos uma parte daquele mundo que ela vivia, das manias e manias daqueles que conhecia.
Essa menina não pertencia.
Fingir pertencer sempre foi fácil, um grupo escolher, fazer tudo que eles faziam, logo, a impressão de pertencer, satisfaria.
Só não se engane, não se acostume, eu avisei, você sabia.
Essa menina não pertencia.
Passamos a vida toda pertencendo 
Alguém disse, que pertencer é ser. 
Se ela não pertence, portanto não existia.
Excruciante sensação que a perseguia, tocar seu rosto , se olhar no espelho, sentir seu cabelo, seu coração bater, e não saber o que era real e o que lhe mentia.
Se cada vez que algo acontece, a menina que não pertencia, mesmo invisível , sentia
Era o espelho que lhe mentia ou suas mãos que a pele tocava, já invetava o que ali havia, ou não havia?
Desolada chorou, uma viagem ela faria, buscaria sem cessar, um lugar para ser o que queria e se enxergar, com papel e lápis no bolso partiu, era tudo que levaria.
No caminho conheceu muitas outras como ela, meninos também, todos tratados com desdem por aqueles que se julgavam pertencer, eles eram felizes porem, não deixavam se abater.
Um dia numa calçada, um artista lhe falava, pediu lápis e papel, fazia tempo que não desenhava , ela então se lembrou, do que no seu bolso guardou, durante todo esse tempo, buscando, observando, aprendendo, de escreve acabou se abstendo. E quando o papel amassado aquele artista, transformou no mais belo retrato, ela finalmente se enxergou, ele também a enxergava.
Ela então entendeu  tudo que precisava.
Menina tu é arte intocada, perfeita, despojada, não espere pertencer.
Não nasceu para se encaixar, veio ao mundo para o mudar, jamais para se esconder, então seja diferente, escreva, fale, se apresente, não deixe a arte morrer.
O papel e lápis eram nada, antes do artista os escolher.
Igualmente era a menina que sabia não pertencer.
Agora ela recitava e escrevia, era seu dom e sua magia, herança de seu pai, que sempre perfeito sabia, que a menina não pertencia e não precisava desse mundo para viver, ela era arte pura muito antes de nascer.
E a voz de seu pai ouvia, como na infância dizendo, Lalinha o mundo pertence a você. 
Não vai ser fácil ele sabia, mas fez questão de ensinar, não tenha medo jamais daquilo que não pode ver, aqueles de carne e osso com maldade no coração, esses tens que temer .
Pois fique tranquilo paizinho, sua filha não tem medo, nada pode lhe deter. 
A unica coisa que eu sinto, é saudade e dela faço textos, molho o papel com  lágrimas e sei que onde está, me ama tanto quanto, eu amo você.
Ai que saudade de te ver, escutar sua poesia, e nos seus braços me encolher, isso sim, era pertencer.
Sozinha nunca estive, desde que você existe , comigo está e vai para sempre continuar, porque és arte, és perfeição e poesia e nunca há de fenecer. 
Em cada palavra escrita por mim, tem um pedacinho de você.