A taça de vinho suada, a vela quase apagada reflete no cristal a luz vermelha do bordeaux.
Pele nua macia, mil pintores ancestrais, até mesmo atuais , jamais chegarão nesse tom , dourado, molhado, acetinado, tantas vezes desejado, outras julgado, teu segredo tá guardado na chave do peitoral. Jamais te farei mal.
Ao fundo tangerinas doces e açúcar tocando em loop
gotas criam anéis na água
quando a mão pesada, coloca a lâmina afiada para a pele namorar, pensamentos correm como meninos a brincar.
se fossem só pensamentos, são muito mais, já tocou suas memórias? já sentiu o cheiro daquele exato momento que passou? Você sorriu ou chorou?
A mão desce, segue os olhos que fitam coxas roliças molhadas, que coisa mais inusitada, outrora o que estava lá, o que novamente estará. Me fez sorrir um instante , prontos pra iniciar?
Antes que vela apague , que a água esfrie, vem a lâmina brilhar.
Silêncio, desliguem seus celulares, achem o seus lugares
O show vai começar.
Não era isso que queria? Bailar em minha pele fria?
Pois é, vai ter que esperar
A cicatriz é recado , desde sempre todo seu , não é hoje que irás matar seu desejo de ter um pedacinho meu
