Ela acordou entre uma boa e má notícia, logo vem a entrevista ...
Com amor ao amigo que fica, Lima Duarte e ao que foi, Flavio Migliaccio, estejam em paz.
Ela se lembra do grande artista, que como ela, tinha o coração fraco para injustiças, chora copiosamente, quando vê o amigo dizer ao outro que morreu, que logo juntos estariam rindo, sim era Lima que ela estava ouvindo, seca as lagrimas e diz baixinho, um suspiro, uma prece: "não desanima, isso também passará"
Em tempo real…
Ando confusa com esse lugar, certa de que tudo sempre esteve bem, nunca fui, mas algo tenho que afirmar, quem era ruim, com a virada do ano, veio a piorar, quem era bom, aos poucos lutar, nem todo dia, mas sempre constante, não obstante, a vontade de parar, mas a arte é a vida e sem ela não dá, sigamos.
Não, nem todo artista é boa pessoa, talvez aquela mulher da entrevista nunca foi artista, ou não entendeu a arte, foi somente uma maneira de fama ou dinheiro, o motivo traiçoeiro que já esta a se instalar, aqui nesse lugar, que um dia teve respeito, por aqueles que a dor no peito, o amor perdido, o dia falido, o filho nascido, em poesia, poema, livro, filme e peça conseguiram transformar.
Achas que a arte é inútil? Achas que não tem lugar? Olha bem ao seu redor, uma coisa única que tens, preso em casa, é arte para te salvar.
Como pode dela zombar?
São cafonas fascistas, amantes da ditadura militar, de tortura, de pretos, gays e mulheres matar, não tem desculpas, mil vezes eu grito, não tem perdão !!
A historia não se repetirá, esta muito próxima disso, vemos aqui e ali, os resquícios de historias de horror do passado voltar.
Não vamos deixar, nem pensar, vamos continuar
a escrever, cantar, filmar, fotografar, tocar, tudo que construir uma parede, para impedir essa loucura coletiva de se expandir.
Não é fácil ter alma do artista, não é fácil ver o mundo em verso, notas, focos, histórias para contar, a gente sofre junto.
Quando o mundo esta em caos, ódio, apatia, frieza, paixão pelas riquezas e da morte a zombar.
Lá vem o artista, e com tanta emoção mista, sua alma vai jogar, seja no papel em desenho, no caderno em poema, no filme em foto, no instrumento em música, na partitura em letra, no corpo em dança, a alma da gente não descansa, algo tem que criar ou recriar, reinventar, se comunicar com aquelas almas lá fora, que ainda, estão precisando, visualizando, por telas e janelas, perguntando, onde que vamos parar?
Nós artistas não sabemos, respostas não temos.
Aqui ficaremos, deixem eles nos xingar, temos dom divino, não são palavras, que vão nos machucar. Não entenderam ainda, esse veneno é nosso, bebemos todos os dias e nunca vai nos matar, mas agora cuidado, se você é do pecado, da arte condenar, não se assuste se cada vez que ler um verso, escutar um trecho de música, uma foto que guardou, um filme que te fez chorar, sentir algo dentro de ti mudar, é o veneno das palavras, matando o mal da ignorância, que insiste em alimentar
e até o final desse pensamento, um ser humano pode se tornar.
Falhamos irmãos artistas, não salvamos o velho mago, que com sua alma em cena, fazia o mundo parar.
Eu sinto muito querido, esta em paz eu não duvido.
Eu digo, eu garanto, se todos morrerem no entanto, sua historia ficará.
Peço desculpas ao leitor, a quem veio aqui buscar, alguma linha concreta de pensamento, de frases e rimas, minha emoção atrapalhou, tem quem nem notou, mas perdão, amanhã vou melhorar.
Amanhã vai ser melhor, para todos, não para um só, pobre de ti a achar, que nesse mundo se vive sem a arte para respirar.
Morrer de fome jamais, mal nutrido é tu que estás, de soberba a se empanturrar. Pobre miserável, deixo aqui esse pensamento, que te sirva de alimento.
Um pouco de luz para ajudar e lembre comigo, a ditadura não voltará, sua boca de sangue sedenta, não tem ninguém pra saciar. Perecerá.
E em cada canto, que um artista cair, uma semente será, e florescerá.
Nessa confusão de palavras repetidas e sentimentos, jogos meus votos aos ventos, e aos bons retornará, isso também passará.
