Curfew

Tem mão que cura, tem musica que marca, tem boca que cala , tem olhar que queima e é claro que tem dia que eu diria, aqui não , aqui o encanto não faz moradia, mas ele faz, ele jamais se vai e eu não o deixaria.

No abraço de dois furacões, o silencio barulhento dos corações acelerados, a noite cinza que muda quando fito seus olhos de céu estrelado, o mundo fica calado.
E eu que nunca me calei , aprendi a beleza, a pureza e a sinceridade do silêncio, estava lá, realmente ali, não tinha como fugir, não precisávamos do barulho para invadir, era perfeito , só o calor do seu peito, seu cabelo cheiroso, tudo tão sutil, o toque, o beijo, o olhar, o cheiro, o carinho ao falar. 

Quero no escuro te encontrar, abraçar, entrelaçar meus medos e receios com os seus, meus cruéis devaneios e cicatrizes que escondia, te mostrar e as suas beijar, naquele momento segura eu me sentia, não tinha começo nem fim, eu em você, você em mim, éramos um, e tantos mais nos pensamentos, mas com o furor de meu olhar eu coloquei todos em seu lugar e ficamos só nos dois, no silencio barulhento do nosso azo.
Me conhecer de verdade é saber, não vivo por vaidade, eu vivo para viver, para ser e compreender, para sentir e jamais, nunca, desistir, do encanto. 
Não precisa enxugar o meu pranto, eu estou feliz.
O ditado diz,
Tudo aquilo que fizer, para o outro, a você retornara em dobro.
E não há um dia em minha existência que não tive disso total ciência.

Tudo que a vida tem me oferecido é merecido, o que doeu, foi erro meu, quem nunca, depois de ouvir tantas vezes, boa noite bonita, esse erro cometeu?
Eu não mais.

Busco paz, tenho sorrisos tímidos, palavras sem ego, tenho meigos apelidos, inéditos, como tudo que sinto agora, como falei outrora, os bons se encontram no inesperado, sem carregar nas costas o passado, tendo os nós desatados, entre braços e pernas entrelaçado, se encaixar.
Por um momento ou dois, por aquele dia ou depois, sem pressa, sem promessas jamais. 
Ser laço, nunca nó, na liberdade de ir e voltar, não saber se o tchau é um adeus e não se importar. Ter tudo que precisa, sem nada pedir ou esperar.
 
Não planejado, mas assim, devagar, com cuidado, sem ninguém machucar, só sorrir, se entregar, ali estar.


Em mil olhares nunca vi, um tão sincero e indagador, entendendo a minha dor, a minha cor, a minha fala tremida, a minha longa historia de vida.
Eu que admirava o barulho, o espetáculo, me vi completamente entregue, sem ação, pela primeira vez eu não quis ter razão, só aprender o que a tua boca perfeita, entre sorrisos tímidos me dizia: "és mais linda poesia e tudo que acreditou um dia, hoje eu vim contestar".
E eu sorrindo com os olhos, pensava em quão lindo tu eras e que de fato deveras , minhas crenças você iria quebrar.
Por um segundo ou para sempre, por mim ou por toda gente, suas palavras vem salvar.

Vai dizer que estou errada, louca desvairada, que não existe salvação e já sorrindo estou, vem me dizer tuas teorias, em tudo que não acredita e sobre aquela musica esquisita que agora eu não paro de escutar. Vem! 
Fala que estamos todos condenados, que tudo é bobeira ou passageiro, eu prometo te escutar, ate o momento certeiro, quando distraído a falar, vou com minha boca desenhada no papel ou sua mente, um beijo te roubar. 
Vem, vamos fazer silêncio , coloca a musica esquisita, que se tornou minha favorita, apaga a luz e desliga o mundo, vem seus cabelos com os meus misturar.

Hoje eu não tenho hora pra voltar.