Vivas

Que obsessão com a morte sua vida tem ? Quão longe  irá o seu desdém?
Desdém, ao suspirar e se ajoelhar no relicário de todas as memórias, que guardou, de morte, luto e drásticos cortes, que hoje te fazem refém .
Lágrima, a água da morte e da vida
Para você, da morte.
Para muitos uma saída, a única , ali perdida , chorar cura toda ferida, falou.
Ferida sangrando vida
Quando parecia não existir sangue suficiente nas paredes surdas das veias , que bomba seu coração, por não escutar o seu grito , seu pranto de não!
Não esqueço de rezar , até em poemas de vida
A morte gosta de me acariciar
Vida, beleza e talento, alguns jogados ao vento, por pura embriaguez, antes fosse de licor , mas é de orgulho, de escassez de amor.
Um arco íris de sentimentos incolor .
Não tem como falar de vida?
Rodeados de margaridas , rosas de toda cor , ainda insistem na morte , nos vermes e na desordem.
Uma pena, sua pena, sentença pode ser, estão em todo lugar e não as pode colher , nem ao menos entender.
Elas são lindas, são belas, guerreiras, jamais donzelas, elas fazem seu abrigo , não precisam de instrutor.
Querem colo quando exaustas, escolhem as suas pautas e em quem tocar com amor.
Flores de ferro lutando.
Para não ter que ler em toda parte, suas falas sobre a morte e a humanidade em dor.

Estamos vivas sim senhor.