É saudável estar ajustada à uma sociedade doente? Essa pergunta para mim são quatro palavras . Palavras essas que mudam de sentindo na minha vida e na vida de minhas filhas de acordo com o tempo e as experiências.
Saudável, ajustada, sociedade, doente .
Saudável. Uma menina com sua cabeça cheia de perguntas e memórias ...memórias de olhos verdes avermelhados, mãos suadas , sussurros no ouvido , hálitos de pinga , minutos eternos, olhos serrados para não ver o que era impossível não sentir , pedindo que alguém chegasse para falar algo, explicar algo , aliviar o sentimento de culpa sobre aqueles tios , uma culpa enorme no coração , repetindo pra si mesma . Porque de todas nós primas, só eu fui a escolhida? Culpa. Sem abrir a boca ela segue sorrindo, saudável, fingindo que está tudo bem. Seu pai, todas as noites , a coloca na cama depois dela adormecer no sofá e pensa, com os olhos emaranhados de gratidão : " Obrigado Deus por uma filha saudável " Sabe ele algo mais que isso? Não. Então saudável era a menina. Saudável era o esperado , saudável ofereceu Até que não teve saúde, que mantivesse a farsa do saudável em pé.
4. Ajustada . Eu sou ? Já fui ? Minha primogênita é ? Qual a medida do ajuste? Quantas aulas diárias de seminário , dizendo que Deus sabia exatamente essa medida e que sem ele , nos ensinaram compulsivamente, sem ele, somos todas , todos desajustados.
Sociedade. O que dizer? Comecei e parei mil vezes. Porque mil vezes que contei com a sociedade para algo. Mil vezes me decepcionei. Não existe colaboração mútua . A única coisa bem clara é a repetição de padrões. Já vivi em sociedade com outra mulher. Eu, ela, minha filha, meu marido, o marido dela e os quatro filhos que tinham . Era um sistema perfeito e cuidadosamente planejado por ela. Por fim que eu nunca fui parte do plano e fui expulsa ( sorrateiramente ) daquela sociedade e com a minha filha eles ficaram. Até hoje, não tem uma noite que eu não diga .Eu deveria ter me calado. Aceitado aquele lugar onde tudo isso era normal e mulheres se chamavam de irmãs, compartilhando o mesmo marido. Parece doente e ao mesmo tempo podia ter me salvado de muita dor vindoura...quase uma cura.
Então, eu preciso buscar mais , ainda mais do que busco. Que meus dedos sangrem de tantas páginas viradas, de livros escritos por deuses, demônios, cientistas , sociólogos, curandeiros, psicólogos, que venham todos, eu quero saber. Eu não vou descansar. Como que a época mais feliz da minha vida aconteceu? Quando minha filha ainda era só minha, Quando eu sentia o cheirinho doce de bebê nos seus cachinhos , o toque suave de suas mãozinhas no meu rosto, quando me perdia em seus profundos olhos castanhos. Como pode ter acontecido? Estar tão feliz , numa das sociedades mais doentes que já vivi?
Sem resposta, pegava a filha e entre o leite do peito e as lágrimas incontroláveis , a colocava para dormir e do lado do seu berço me ajoelhava , cansada, derrotada pela batalha perdida, dores de corpo e alma , que toda noite eu aliviava e que hoje eu ainda na inocência, na esperança , seguindo um padrão talvez, alivio com uma boa dose de ...Obrigada Deus por uma filha saudável.
Para Savannah. Meu primeiro amor.
Saudável, ajustada, sociedade, doente .
Saudável. Uma menina com sua cabeça cheia de perguntas e memórias ...memórias de olhos verdes avermelhados, mãos suadas , sussurros no ouvido , hálitos de pinga , minutos eternos, olhos serrados para não ver o que era impossível não sentir , pedindo que alguém chegasse para falar algo, explicar algo , aliviar o sentimento de culpa sobre aqueles tios , uma culpa enorme no coração , repetindo pra si mesma . Porque de todas nós primas, só eu fui a escolhida? Culpa. Sem abrir a boca ela segue sorrindo, saudável, fingindo que está tudo bem. Seu pai, todas as noites , a coloca na cama depois dela adormecer no sofá e pensa, com os olhos emaranhados de gratidão : " Obrigado Deus por uma filha saudável " Sabe ele algo mais que isso? Não. Então saudável era a menina. Saudável era o esperado , saudável ofereceu Até que não teve saúde, que mantivesse a farsa do saudável em pé.
4. Ajustada . Eu sou ? Já fui ? Minha primogênita é ? Qual a medida do ajuste? Quantas aulas diárias de seminário , dizendo que Deus sabia exatamente essa medida e que sem ele , nos ensinaram compulsivamente, sem ele, somos todas , todos desajustados.
Sociedade. O que dizer? Comecei e parei mil vezes. Porque mil vezes que contei com a sociedade para algo. Mil vezes me decepcionei. Não existe colaboração mútua . A única coisa bem clara é a repetição de padrões. Já vivi em sociedade com outra mulher. Eu, ela, minha filha, meu marido, o marido dela e os quatro filhos que tinham . Era um sistema perfeito e cuidadosamente planejado por ela. Por fim que eu nunca fui parte do plano e fui expulsa ( sorrateiramente ) daquela sociedade e com a minha filha eles ficaram. Até hoje, não tem uma noite que eu não diga .Eu deveria ter me calado. Aceitado aquele lugar onde tudo isso era normal e mulheres se chamavam de irmãs, compartilhando o mesmo marido. Parece doente e ao mesmo tempo podia ter me salvado de muita dor vindoura...quase uma cura.
Então, eu preciso buscar mais , ainda mais do que busco. Que meus dedos sangrem de tantas páginas viradas, de livros escritos por deuses, demônios, cientistas , sociólogos, curandeiros, psicólogos, que venham todos, eu quero saber. Eu não vou descansar. Como que a época mais feliz da minha vida aconteceu? Quando minha filha ainda era só minha, Quando eu sentia o cheirinho doce de bebê nos seus cachinhos , o toque suave de suas mãozinhas no meu rosto, quando me perdia em seus profundos olhos castanhos. Como pode ter acontecido? Estar tão feliz , numa das sociedades mais doentes que já vivi?
Sem resposta, pegava a filha e entre o leite do peito e as lágrimas incontroláveis , a colocava para dormir e do lado do seu berço me ajoelhava , cansada, derrotada pela batalha perdida, dores de corpo e alma , que toda noite eu aliviava e que hoje eu ainda na inocência, na esperança , seguindo um padrão talvez, alivio com uma boa dose de ...Obrigada Deus por uma filha saudável.
Para Savannah. Meu primeiro amor.
